
Faltam seis dias para o segundo turno, e a semana de 11 a 19 de outubro trouxe três notícias que pesam mais que as demais para quem administra uma empresa no Brasil. A primeira é que o petróleo voltou a encostar em US$ 110 por barril. A segunda é que a diferença entre Flávio Bolsonaro e Lula encolheu para um empate técnico. A terceira é que o Congresso aprovou o fim da escala 6×1, e a nova regra já tem data para começar a valer.
A corrida presidencial estreitou. A rodada do Datafolha feita entre 13 e 15 de outubro deu a Flávio Bolsonaro 51% dos votos válidos contra 49% de Lula. A Quaest, divulgada em 14 de outubro, mostrou o mesmo placar. As duas pesquisas têm margem de erro de dois pontos percentuais, o que deixa a disputa tecnicamente empatada. O segundo turno é em 25 de outubro.
O mercado recuou depois de uma alta forte. O Ibovespa fechou a sexta-feira, 16 de outubro, em 205.430,33 pontos, com alta de 0,54% no dia. Na semana, perdeu 1,74% e ficou cerca de 1,7% abaixo do recorde de 209.066,90 pontos, marcado em 9 de outubro. O dólar recuou 0,28% e fechou a R$ 5,073. Os bancos pesaram: Bradesco caiu 1,78% e Itaú, 0,54%. A Petrobras subiu 4,04%, acompanhando o petróleo.
O petróleo voltou a US$ 110. O Brent para dezembro fechou a US$ 109,86 na sexta-feira, alta de 3,72% no dia, o maior patamar desde maio. O WTI para novembro fechou a US$ 101,41. Na semana, o Brent subiu cerca de 4% e o WTI mais de 10%. O movimento combina ataques a navios no Estreito de Ormuz, ofensivas de milícias houthis contra a Arábia Saudita e ataques ucranianos a refinarias russas. A UKMTO, órgão britânico que monitora a segurança marítima, registra tráfego em Ormuz muito abaixo do nível anterior à guerra.
A inflação americana veio no ritmo esperado, mas o Fed não fechou a porta. O CPI de setembro subiu 0,6% no mês e 3,7% em doze meses, contra 3,4% em agosto. O núcleo subiu 0,3% no mês e 2,6% no ano. A gasolina avançou 9,1% e respondeu por mais da metade da alta mensal. Kevin Warsh não deu pista sobre a reunião de 27 e 28 de outubro. Pelo CME FedWatch, a chance de alta de juros nessa reunião ficou entre 30% e 50% depois do dado, e a de nova alta em dezembro passou de 90%.
No Brasil, o Congresso aprovou o fim da escala 6×1. O Senado aprovou a PEC em dois turnos na quarta-feira, 14 de outubro, por 75 votos a 1. O texto foi promulgado na sexta-feira como Emenda Constitucional 141. A escala 5×2 passa a valer em 60 dias, com jornada de 42 horas, e a jornada cai para 40 horas em 14 meses. Flávio Bolsonaro, que até outubro havia criticado a proposta, passou a apoiá-la.
O governo gastou para proteger o consumidor. Em 9 de outubro, a MP 1.395 zerou por 30 dias os tributos federais da gasolina, ao custo estimado de R$ 5,2 bilhões, e reforçou os subsídios ao etanol e ao diesel importado. Em 13 de outubro, a Petrobras informou ter recebido R$ 16 bilhões em subsídios federais. No mesmo dia, o governo anunciou um projeto para perdoar cerca de R$ 12,6 bilhões em dívidas de microempreendedores.
A inflação brasileira continua acima do teto. O Boletim Focus de 19 de outubro manteve a projeção do IPCA de 2026 em 5,22%, acima do teto de 4,5% da meta. A projeção de Selic para o fim do ano ficou em 13,25%. A projeção de PIB para 2026 caiu de 1,85% para 1,83%. O IPCA-15 de outubro, que sai em 23 de outubro, deve acelerar, puxado por alimentos.
A tese da semana. Nas edições anteriores, esta série vinha dizendo que o mercado precificava intenção fiscal, e não capacidade fiscal. Esta semana a capacidade foi testada de três formas: o governo subsidiou combustível para segurar preços, o Congresso aprovou uma mudança de custo trabalhista que poucas empresas tinham no orçamento de 2027, e o petróleo voltou a US$ 110. A pergunta para cada empresa é quanto cada uma dessas medidas custa quando o subsídio acabar.
As principais notícias da semana, em ordem de importância
11 e 12/10
Novos ataques a navios em Ormuz; a UKMTO registra dezenas de incidentes desde o início da guerra
Recoloca o prêmio de risco no petróleo
12/10
FMI divulga o World Economic Outlook: 3,1% para o mundo e 2,2% para o Brasil em 2026
Crescimento concentrado em IA; Brasil rebaixado
13/10
Petrobras informa R$ 16 bilhões em subsídios recebidos do governo
Custo fiscal dos combustíveis fica explícito
13/10
Governo anuncia perdão de R$ 12,6 bilhões a MEIs e pacote de crédito
Estresse das pequenas empresas vira política pública
13/10
Flávio Bolsonaro passa a apoiar a PEC do fim da escala 6×1
Tema deixa de ser exclusivo da esquerda
14/10
Senado aprova a PEC por 75 votos a 1
Mudança de custo para comércio, serviços e indústria
14/10
Quaest mostra Flávio com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula
Corrida apertada a seis dias do segundo turno
14/10
CPI americano de setembro: 0,6% no mês e 3,7% em doze meses
Energia reabre a dúvida sobre o Fed
15/10
AIE acelera a liberação de estoques, com mais de 20 milhões de barris de diesel
Tentativa de conter o diesel antes das eleições americanas
15/10
Ucrânia ataca a refinaria de Ryazan, na Rússia, e uma unidade de destilação para
Reforça a oferta curta de derivados
15/10
Datafolha confirma empate técnico, com 51% a 49% para Flávio nos votos válidos
Pesquisas convergem para a mesma leitura
16/10
Brent fecha em US$ 109,86, o maior patamar desde maio
Petróleo volta a pressionar inflação e juros
16/10
Emenda Constitucional 141 é promulgada e institui a escala 5×2
Prazo de 60 dias para empresas se adaptarem
16/10
Warsh, em Bangkok, diz que a IA é “provavelmente a mudança mais consequente” e não sinaliza juros
Fed mantém a dúvida em aberto
18/10
Primeiro debate do segundo turno, na Band, com Flávio e Lula presentes
Campanha volta a discutir economia, corrupção, segurança e política externa
19/10
Guarda Revolucionária iraniana diz que um petroleiro atingiu uma mina e pegou fogo ao sul de Ormuz
Confirma o risco de navegação fora das rotas autorizadas
Eleições 2026: a diferença encolheu, e o mercado foi junto
O que mostram as pesquisas mais recentes
Instituto
Período da coleta
Flávio Bolsonaro
Lula
Datafolha
13 a 15/10
47% totais; 51% válidos
45% totais; 49% válidos
Quaest
10 a 13/10
46% totais; 51% válidos
44% totais; 49% válidos
As duas pesquisas mais recentes mostram Flávio com dois pontos de vantagem sobre Lula nos votos válidos, dentro da margem de erro. Em ambas, a diferença é mínima. A Quaest registra 9% de brancos e nulos e 1% de indecisos, o que deixa a eleição aberta até o último dia. O movimento é de estreitamento, não de virada.
Pesquisas e intenções de voto medem preferência em um momento, não resultado. Por isso, a leitura prudente é tratar o segundo turno como disputa aberta, com pequena vantagem numérica para Flávio e com risco real de reviravolta nos últimos dias.
Propostas econômicas: o que se sabe e o que ainda não se sabe
Em entrevista de 6 de outubro, Daniella Marques, que coordena o plano econômico da campanha de Flávio, afirmou que o candidato defende a revogação de tributos criados ou elevados na gestão Haddad, o fim da alíquota de 12% sobre a exportação de petróleo e o retorno do IOF aos patamares de 2022. O plano também menciona a retomada de desestatizações, o fortalecimento da Lei das Estatais, uma nova regra fiscal com objetivo de superávit primário e um controle sobre os gastos discricionários.
Não há meta numérica de superávit, estimativa de custo fiscal ou cronograma de privatizações. A campanha de Lula defende a continuidade dos programas sociais, a política industrial e o investimento público, sem nova proposta de receita nesta semana. Sobre a equipe econômica, o coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho, sinalizou que os anúncios da área não devem sair antes da eleição. Entre os nomes mencionados pela imprensa estão Mansueto Almeida, Roberto Campos Neto e Daniella Marques.
Para as empresas, a consequência prática é simples: as propostas ainda não cabem numa conta fiscal. Quem depende de crédito público, subsídio ou regra tributária precisa tratar essas variáveis como risco, não como promessa.
Debates
O primeiro debate do segundo turno, promovido pela Band e pelo Estadão na noite de 18 de outubro, teve a presença de Flávio Bolsonaro e de Lula. Flávio havia dito inicialmente que não compareceria, mas confirmou a presença depois que Lula aceitou o convite da emissora. O encontro foi marcado por confrontos sobre economia, corrupção, segurança e política externa, com menos detalhamento de planos fiscais do que o mercado gostaria.
Lula também confirmou presença no debate da Globo, em 23 de outubro, que será o último antes da votação.
Leitura do jornalista. Na semana anterior, esta série observava que o mercado parecia ter comprado a vitória de Flávio antes de as pesquisas confirmarem. A semana de 11 a 19 mostrou o outro lado da mesma moeda: as pesquisas recuaram um pouco, e a bolsa também. Faltam seis dias, e a estrutura de preços já reflete essa incerteza.
Mercados: o rali recuou, e o petróleo sustentou a Petrobras
Bolsa e câmbio
Dia
Ibovespa
Dólar
O que explica
9/10
209.066,90 (recorde)
Abaixo de R$ 5,00
Pesquisas favoráveis a Flávio e fluxo estrangeiro
16/10
205.430,33 (+0,54%)
R$ 5,073 (−0,28%)
Petrobras sobe com o petróleo; bancos caem
Na semana, o Ibovespa perdeu 1,74%. A Petrobras foi a exceção positiva, com alta de 4,04% na sexta-feira, em linha com o petróleo. Os bancos recuaram e limitaram a recuperação do índice. O dólar oscilou em torno de R$ 5,07 e permaneceu próximo da mínima do mês.
A leitura de mercado é de que o investidor estrangeiro segue comprado em ações brasileiras, mas exige mais prêmio para o risco eleitoral. Essa é a diferença entre a euforia de meados de outubro e a cautela atual.
O que os analistas dizem
Os bancos de investimento mantiveram, em linhas gerais, a preferência por empresas domésticas sensíveis aos juros, com ênfase em financeiras, varejo e construção, desde que a curva de juros continue caindo. A ressalva é a mesma de sempre: a rotação depende do resultado eleitoral e da capacidade do próximo governo de aprovar reformas no Congresso.
Inflação, juros e crescimento: o IPCA acima do teto e o Focus sem alívio
O Boletim Focus de 19 de outubro
Indicador
Focus 19/10
Observação
IPCA 2026
5,22%
Acima do teto da meta de 4,5%
IPCA 2027
4,32%
Inflação ainda acima da meta
Selic fim de 2026
13,25%
Mediana aponta duas quedas de 0,25 ponto
Selic 2027
12,00%
Mantida pela 18ª semana
PIB 2026
1,83%
Revisão para baixo
PIB 2027
1,32%
Desaceleração em 2027
Dólar fim de 2026
R$ 5,13
Câmbio próximo do fechamento da semana
O Focus desta semana traz uma leitura nítida: a inflação de 2026 segue acima do teto, o crescimento caiu e o câmbio ficou um pouco mais barato. A expectativa de corte de juros continua, mas a mediana aponta para duas quedas de 0,25 ponto, uma em novembro e outra em dezembro, levando a Selic a 13,25%. O Copom se reúne em 4 de novembro, com a Selic atual em 13,75%.
O IPCA-15 de outubro, divulgado em 23 de outubro, deve acelerar em relação ao mês anterior, com projeções de 0,45% a 0,51% de bancos como Bradesco e Itaú. A alimentação deve puxar a alta, com o efeito do El Niño sobre a oferta de produtos. A queda da tarifa de energia, após a troca da bandeira amarela pela verde, ameniza o impacto. Com isso, a inflação em doze meses pode subir para algo entre 4,8% e 4,9%.
Atividade: a economia não para, mas cresce pouco
Os indicadores do IBGE divulgados na semana mostram uma economia que não entrou em recessão, mas que avança pouco. Os serviços recuaram 0,1% em agosto, e o varejo praticamente não cresceu. A indústria segue em patamar baixo e frágil. A leitura de conjunto é de atividade fraca e desigual, com juros altos pesando sobre consumo e investimento.
FMI: o Brasil foi rebaixado, e o problema é o juro
No World Economic Outlook divulgado em 12 de outubro, o FMI projetou crescimento de 2,2% para o Brasil em 2026 e de 1,9% em 2027. O Fundo justificou a revisão com a política monetária restritiva, a retirada gradual do estímulo fiscal e a incerteza externa. Também lembrou que juros altos combinados com dívida elevada são uma vulnerabilidade. O Banco Mundial e o Banco Central têm projeções próximas, mas todas apontam crescimento abaixo do potencial.
Estados Unidos: o Fed diante de uma inflação que não cede
O CPI de setembro
O índice de preços ao consumidor americano subiu 0,6% em setembro e 3,7% em doze meses, contra 3,4% em agosto. O núcleo, que exclui alimentos e energia, subiu 0,3% no mês e 2,6% em doze meses. A gasolina avançou 9,1% e respondeu por mais da metade da alta mensal. O aluguel seguiu pressionado.
A leitura é de que a energia pressiona o índice total, mas o núcleo mais estável dá ao Fed margem para esperar. O problema é que o núcleo ainda está acima da meta de 2%, e a inflação de energia é a mais difícil de controlar no curto prazo.
Warsh: nenhuma sinalização
Em discurso no FMI, em Bangkok, em 16 de outubro, o presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que a inteligência artificial é “provavelmente a mudança mais consequente” para as economias americana e global em sua vida. Disse que, por enquanto, o investimento em IA empurra preços para cima ao aquecer a demanda, mas deve ampliar a capacidade produtiva no longo prazo. Sobre juros, não deu pistas. Descreveu a onda de aperto dos bancos centrais como um “aperto monetário sincronizado”.
No mercado, a probabilidade de alta em 28 de outubro chegou a cerca de 50% logo após o CPI e voltou a algo perto de 30% depois. Para dezembro, a chance de alta supera 90%. A discussão do Fed passou a girar menos em torno de outubro e mais em torno de como a inflação de energia e o investimento em IA se combinam.
Juros longos e a dívida americana
Os rendimentos dos títulos americanos de longo prazo permaneceram em níveis altos. Para o investidor, o risco não é só a taxa do Fed, mas o prêmio exigido para financiar um déficit público grande num momento de inflação persistente. Esse é o canal pelo qual a dívida americana afeta o custo de capital em todo o mundo, inclusive no Brasil.
Petróleo, Ormuz e diesel: o preço volta a US$ 110, e a oferta segue frágil
O que aconteceu no Golfo
Os ataques a navios no Estreito de Ormuz se intensificaram entre 11 e 19 de outubro. A UKMTO registra incidentes desde o início da guerra, e a maior parte deles envolve embarcações que cruzam o estreito fora das rotas autorizadas, geralmente próximas à costa de Omã. Autoridades iranianas afirmaram à Reuters que as táticas mudaram cerca de dez dias antes, o que elevou a frequência dos ataques. Em 19 de outubro, a Guarda Revolucionária informou que um petroleiro atingiu uma mina ao sul do estreito e pegou fogo, e acusou o navio de usar rota não autorizada e de ter desligado seus sistemas de identificação.
A Kpler e outros analistas mostram que os fluxos de petróleo pelo Golfo se recuperaram parcialmente desde o início da guerra, mas a recuperação é lenta e reversível. A Goldman Sachs estima que os fluxos por Ormuz voltem a apenas cerca de 70% do nível pré-guerra. Para o mercado, isso significa que o prêmio de risco permanece, mesmo sem bloqueio total.
Na Arábia Saudita, um ataque houthi atingiu um prédio administrativo da Saudi Aramco em Dhahran, com incêndio limitado. O aeroporto de Riade foi atingido mais de uma vez na semana. A Eurasia Group elevou para 65% a probabilidade de escalada no Oriente Médio, ante 35% antes, segundo sua análise mais recente.
Rússia, Ucrânia e o diesel
A Ucrânia atacou a refinaria de Ryazan, na Rússia, em 15 de outubro, e uma das unidades de destilação parou. A ofensiva faz parte de uma campanha contra a infraestrutura de refino russa, que reduz a oferta de derivados justamente quando o diesel está mais escasso.
Do outro lado, o Tesouro americano concedeu, em 9 de outubro, uma licença para o diesel russo que vale até 7 de abril de 2027. A medida permite que o produto volte a chegar a mercados ocidentais, mas analistas questionam quanto volume realmente chegará, considerando os ataques às refinarias russas e os custos logísticos. O efeito sobre o preço, segundo a Reuters, tende a ser limitado.
Oferta, estoques e a resposta da AIE
Os estoques comerciais americanos de petróleo caíram 8,6 milhões de barris na última semana, mais do que o esperado pelo mercado. A AIE decidiu em 15 de outubro acelerar a liberação de estoques de emergência, incluindo mais de 20 milhões de barris de diesel. Desde o início da guerra, já foram liberados cerca de 330 milhões de barris. A medida busca conter preços antes das eleições americanas de meio de mandato, em 3 de novembro, e o presidente Trump pressionou países europeus a usarem suas próprias reservas.
Em seu relatório de outubro, a AIE avalia que o diesel seguirá apertado até bem dentro de 2027. A agência espera superávit de diesel no primeiro trimestre de 2027, mas insuficiente para compensar o déficit acumulado desde fevereiro.
O que isso significa para o Brasil
O Brasil importa diesel e depende de um fluxo que passou a ser mais caro e mais incerto. Em setembro, a maior parte do diesel importado veio dos Estados Unidos. A licença russa e a liberação da AIE ampliam as opções de origem no curto prazo, mas não eliminam a dependência de cargas que atravessam rotas sob risco.
O subsídio ao diesel importado foi reforçado pela MP de 9 de outubro, somando R$ 1,40 por litro aos R$ 2,12 já existentes. A Petrobras recebeu R$ 16 bilhões em subsídios federais e não anunciou reajuste de preços para a semana. Para as empresas, a lição é separar a análise: um Brent estável não garante diesel barato. Transporte, agronegócio, mineração e indústria precisam modelar o spread dos derivados à parte.
Reformas e custos: a escala 5×2, a gasolina e o programa para pequenos negócios
A Emenda 141 e a nova escala de trabalho
A Emenda Constitucional 141 foi promulgada na sexta-feira, 16 de outubro. Ela substitui a escala 6×1 pela 5×2, sem redução salarial. Em 60 dias a contar da promulgação, a jornada máxima cai para 42 horas semanais, e as empresas devem garantir dois dias de descanso remunerado por semana, um deles preferencialmente aos domingos. Em 14 meses, a jornada chega a 40 horas. Acordos e convenções coletivas podem ampliar a jornada diária durante a transição, desde que os dois dias de descanso sejam mantidos. Cláusulas incompatíveis perdem validade em 60 dias.
As exceções são relevantes. Trabalhadores com diploma superior que recebam pelo menos 2,5 vezes o teto do INSS, cerca de R$ 21.188,87, podem ter a jornada definida por negociação direta, desde que mantenham a escala 5×2. Servidores públicos não têm a jornada alterada. Para microempresas e MEIs, uma lei complementar futura deve prever medidas de adaptação, condicionadas à manutenção dos empregos.
Os setores mais expostos são os que operam sete dias por semana: varejo, supermercados, hotelaria, restaurantes, saúde, segurança, logística e call centers. Para uma empresa com equipes em escala 6×1, a conta muda de forma direta. Um varejista com dezenas de lojas precisa contratar ou redesenhar escalas para absorver a redução de jornada, o que tem custo imediato. O ganho em retenção, absenteísmo e produtividade existe, mas é de médio prazo. A regulamentação ainda vai detalhar o que vale para cada setor, e o prazo de 60 dias é curto.
Gasolina, subsídios e a conta que chega depois
Em 9 de outubro, a MP 1.395 zerou por 30 dias os tributos federais da gasolina (PIS/Pasep, Cofins e Cide-Combustíveis), ao custo estimado de R$ 5,2 bilhões no período. O subsídio ao etanol foi ampliado para R$ 0,43 por litro, e a MP prevê um crédito extraordinário de R$ 7,52 bilhões. O Ministério do Planejamento afirmou que as renúncias serão compensadas por receitas extraordinárias de petróleo, o que depende de o Brent continuar alto.
Há dois riscos. Se o petróleo cair, a compensação encolhe. Além disso, o prazo de 30 dias termina no início de novembro, às vésperas do Copom e de um novo governo. Uma eventual prorrogação entrará na conta de quem decidir o orçamento de 2027.
Pequenas empresas: o perdão de R$ 12,6 bilhões
O governo anunciou em 13 de outubro um projeto de lei complementar para perdoar cerca de R$ 12,6 bilhões em dívidas de microempreendedores com a União, beneficiando cerca de 3,6 milhões de MEIs. O pacote inclui a compra, por edital, de dívidas de MEIs com bancos, com desconto mínimo de 90% sobre um estoque de cerca de R$ 6 bilhões. Também prevê o Pix MEI, uma transferência não reembolsável de até R$ 5 mil, ainda em desenho, e a elevação do teto de faturamento do MEI para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. O custo fiscal total não foi divulgado.
O dado econômico é claro: o estresse financeiro dos pequenos negócios chegou ao ponto de justificar um programa nacional de renegociação de passivos. Para bancos, fintechs e empresas de cobrança, a compra de carteira com desconto de 90% redefine o valor do crédito inadimplente.
Comércio exterior: a China exporta mais e a Europa reage
Carne bovina: o custo da concentração
Depois que o Brasil atingiu a cota anual de exportação de carne bovina para a China, de 1,106 milhão de toneladas, passou a valer uma tarifa adicional de 55% sobre o excedente, com salvaguarda válida até dezembro de 2028. O Uruguai pediu transferência de cota, sem sucesso. A consequência para os frigoríficos é imediata: JBS, Minerva e MBRF precisam redirecionar vendas, e o pecuarista sente o efeito no preço da arroba. A diversificação de destinos, como afirmou o CEO da JBS, Gilberto Tomazoni, é a forma de reduzir a dependência de um único comprador.
China: exportações em alta e superávit recorde
As exportações chinesas seguem em forte alta, impulsionadas por produtos industriais e tecnológicos. O crescimento do PIB chinês continua apoiado mais pelo setor externo do que pelo consumo doméstico, que segue fraco, e o setor imobiliário ainda não se recuperou. Pequim exporta para compensar a demanda interna fraca, e isso transfere parte de seus desequilíbrios para os parceiros comerciais.
Para o Brasil, a China é cliente importante, mas a concorrência cresce na indústria. O Brasil exporta mais commodities do que manufaturados para a China, e a balança bilateral depende de minério, soja e petróleo.
Europa: o acordo sobre híbridos e as salvaguardas
Em 9 de outubro, China e União Europeia fecharam um consenso de 16 pontos. Ele inclui um entendimento sobre veículos híbridos, em que Pequim aceita reduzir de forma significativa suas exportações desse tipo para o bloco. A UE prepara cotas de salvaguarda com tarifas acima de determinado volume, com entrada em vigor prevista para 1º de dezembro, e avalia investigações em químicos e plásticos, pedidas por Alemanha e França. Analistas avaliam que o acordo não altera o grande déficit comercial europeu com a China.
O dilema europeu é o brasileiro: como aproveitar produtos e capital chineses sem destruir a própria indústria. O caminho tende a combinar conteúdo local, joint ventures, exigências tecnológicas, antidumping focalizado e atração de fábricas.
Minerais críticos: níquel e a disputa China–Europa
A Anglo American alertou que pode fechar suas operações brasileiras de níquel se a venda, de cerca de US$ 500 milhões, à MMG, empresa chinesa listada em Hong Kong, for bloqueada pelas autoridades antitruste europeias. O receio em Bruxelas é que o comprador redirecione para a China o níquel hoje destinado à Europa. O episódio mostra que minerais críticos viraram política industrial, segurança energética e cadeia de baterias. Para o Brasil, aumenta o risco de vender ativos ou minério sem estratégia de processamento local.
Tarifas com os Estados Unidos: o grupo de trabalho segue parado até depois da eleição
Desde a instalação do grupo de trabalho Brasil–Estados Unidos, em 30 de setembro, não houve avanço concreto sobre tarifas. As conversas de mérito foram empurradas para depois da eleição. Para as empresas exportadoras, a expectativa de alívio tarifário antes de 25 de outubro é baixa.
FMI e inteligência artificial: crescimento que depende de uma única aposta
O World Economic Outlook elevou o crescimento mundial de 2026 para 3,1%, e manteve 3,4% para 2027. O motivo é o investimento em IA, que compensou parte do efeito do petróleo, da guerra e dos juros. Os Estados Unidos crescem 2,3% em 2026, a China 4,5% (4,0% em 2027) e a Índia 7,0%. A concentração é o dado mais revelador: 32 países respondem por 95% do crescimento mundial, contra 54 na projeção de abril. O Brasil, fora da cadeia de data centers e semicondutores, não se beneficia da mesma onda.
O Relatório de Estabilidade Financeira Global traz o outro lado. O Fundo examinou 14 grandes transações circulares de IA, em que fornecedores, clientes e financiadores se apoiam mutuamente, com cerca de US$ 950 bilhões entre capital e dívida, apoiados em US$ 1,4 trilhão de receitas futuras prometidas. As gigantes de nuvem respondem por 10% das emissões de dívida corporativa de grau de investimento. Em um cenário de forte queda do investimento em IA, o PIB mundial ficaria 1,1% abaixo da linha de base em 2028. O Fundo também aponta o risco cibernético como possível gatilho de instabilidade financeira.
A conclusão para o leitor brasileiro é que a IA é, ao mesmo tempo, a principal fonte de crescimento e de risco financeiro do ciclo. O investimento aquece a demanda e pressiona preços no curto prazo, e deve reduzir custos no longo prazo. A dúvida é quem vai carregar a dívida enquanto isso acontece.
El Niño: o risco climático ganha calendário
A NOAA e o INMET apontam para um El Niño forte entre o fim de 2026 e o início de 2027. O padrão tende a trazer excesso de chuva ao Sul e déficit ao Norte e ao Nordeste do Brasil.
O impacto imediato aparece na alimentação. Bancos projetam que o IPCA-15 de outubro seja puxado por alimentos. No verão, o risco se desloca para a energia: com déficit de chuva no Norte e no Nordeste, onde há geração hidrelétrica relevante, a bandeira tarifária mais cara no início de 2027 é um cenário plausível.
Segmentos de mercado: o que muda para as empresas brasileiras
Bancos e serviços financeiros
Beneficiados no curto prazo pela expectativa de queda da Selic e pelo fluxo estrangeiro, com preferência de alguns bancos de investimento por BTG Pactual, B3 e XP. Itaú e Bradesco recuaram na sexta-feira, pressionados pela cautela eleitoral. O risco de crédito segue relevante: inflação acima do teto, atividade fraca e juros que caem devagar mantêm a inadimplência em alerta. A compra de dívidas de MEIs com desconto de 90% abre oportunidade para quem tem capital e cobrança eficiente.
Estatais e empresas com participação pública
É o segmento de maior sensibilidade eleitoral. A Petrobras subiu com o petróleo e recebeu R$ 16 bilhões em subsídios. Banco do Brasil e Petrobras concentram o prêmio de uma eventual mudança de governo e, simetricamente, a devolução desse prêmio se o resultado virar. A proposta de Flávio de eliminar o imposto sobre a exportação de petróleo reduz tributo, mas a estatal segue exposta aos subsídios a combustíveis, que podem ser revistos.
Petróleo, gás e refino
O preço ajuda, e o momento favorece produtores eficientes. Com o Brent acima de US$ 100, a geração de caixa é forte. O ponto de atenção é o refino: com diesel escasso e disputado politicamente, a capacidade de refino doméstica deixa de ser ativo de baixo retorno. O risco contrário é político, porque um governo que promete reduzir tributos e subsídios pode alterar a conta de combustíveis.
Agronegócio e alimentos
Risco climático e comercial combinados. O El Niño traz excesso de chuva ao Sul e déficit ao Norte e ao Nordeste, e a alimentação pressiona o IPCA. A carne bovina perdeu o acesso ao mercado chinês acima da cota, e os frigoríficos com mix diversificado de destinos têm vantagem. O etanol se beneficia do petróleo alto e do subsídio ampliado. Para fertilizantes, o diesel e o gás caros elevam o custo do produtor.
Mineração, siderurgia e papel e celulose
Os segmentos mais pressionados pelo câmbio mais forte e pela concorrência chinesa. O minério tradicional depende da China imobiliária, que segue fraca. Metais ligados à IA, à rede elétrica, às baterias e à defesa têm dinâmica estrutural melhor. O caso da Anglo American mostra que minerais críticos ganharam valor estratégico, o que favorece quem tem processamento e tecnologia no Brasil. A siderurgia enfrenta exportações chinesas de produtos industriais em crescimento.
Energia elétrica e saneamento
Bem posicionadas diante da queda de juros e da demanda elétrica crescente, com a eletrificação e a expansão de data centers. A energia residencial pesou no IPCA de setembro, com alta pelo fim de benefícios e pela bandeira amarela. Com o El Niño, a bandeira tarifária pode voltar a subir no verão, e geradoras com portfólio diversificado levam vantagem.
Varejo, supermercados e serviços intensivos em mão de obra
O varejo tem o alívio do juro no horizonte, mas o consumo segue limitado pela inflação de alimentos e pelo crédito caro. A redução de jornada é o maior custo novo do setor: supermercados, atacarejo, hotelaria, restaurantes e call centers precisam refazer escalas em 60 dias. Automação de caixa, estoque, reposição e agendamento deixou de ser projeto paralelo.
Construção civil e incorporadoras
Sensíveis ao juro longo, com preferência de alguns analistas por incorporadoras com perfil de risco mais controlado. O ganho depende da queda efetiva da Selic. Com o Focus em 13,25% no fim do ano, o financiamento segue caro em 2027, e a construção depende de programas com demanda subsidiada, como o Minha Casa Minha Vida, além de infraestrutura, saneamento, galpões e data centers.
Transporte, logística e aviação
Companhias de locação, logística e infraestrutura estão entre as beneficiadas pelo juro e pelo câmbio, mas o custo de combustível é o principal risco do setor, com o Brent a US$ 110 e o diesel escasso. Contratos devem manter gatilhos de combustível.
Na aviação, o risco é duplo. Além do querosene caro, a reforma tributária que começa a valer em 2027 pode elevar a carga sobre passagens. Segundo a IATA, a alíquota efetiva sobre passagens pode subir de cerca de 9% para algo próximo de 26,5% sem ajustes, o que encareceria os bilhetes em até 26%. As projeções da entidade ainda não são efeitos observados, mas a ameaça é concreta para companhias aéreas, aeroportos, hotelaria e turismo.
Indústria de transformação
É o segmento mais pressionado: produção em queda, juros altos, energia cara e concorrência chinesa com exportações em forte alta. A redução de jornada adiciona custo por hora, sobretudo em empresas com turnos contínuos. Produtos indiferenciados de baixa margem são os mais vulneráveis. O caminho passa por especialização, customização, serviço, propriedade intelectual e automação.
Tecnologia, saúde e educação
Setores como saúde e educação aparecem entre os sensíveis ao cenário, pela redução de jornada e pela dependência de pessoal. Em saúde, a mudança afeta enfermagem, recepção e diagnóstico, o que reforça o valor de automação administrativa e de sistemas de agenda e faturamento. Em tecnologia, a oportunidade brasileira está em aplicações que reduzam custo, erro, prazo e pessoal administrativo.
Pequenas empresas, fintechs e crédito
O programa de R$ 12,6 bilhões e a compra de dívidas de MEIs revelam estresse real. Para fintechs, funding caro exige melhor subscrição, cobrança e prevenção a fraude. Para bancos, a compra de carteira com desconto de 90% reorganiza o estoque de crédito ruim.
Defesa, cibersegurança e energia para dados
A guerra prolongada, os drones e os ataques marítimos sustentam a demanda por defesa e ciberdefesa. O FMI aponta o ciberataque como possível gatilho de instabilidade financeira. A energia para data centers segue em expansão, e a matriz renovável é vantagem brasileira, desde que a rede e o licenciamento acompanhem.
Fusões, aquisições e reestruturação
Juros menores não eliminam o passivo acumulado. Ativos que sofreram entre 2024 e 2026 em varejo, indústria, saúde e construção seguirão chegando ao mercado, o que favorece capital paciente. O programa para MEIs e a compra de dívidas tendem a acelerar o movimento em pequenas empresas.
Cenários para os próximos 90 dias
As probabilidades a seguir são estimativas analíticas para planejamento econômico e empresarial. Não são previsões de resultado eleitoral, e somam 100%.
Cenário A: Flávio vence e apresenta uma agenda crível (35%)
Flávio vence em 25 de outubro, a equipe econômica é anunciada com nomes de mercado e o Congresso avança na regulamentação da jornada e em medidas de ajuste. O Fed mantém os juros em outubro, e a inflação de energia cede no fim do ano.
• Mundo: custo de capital estável; Brent entre US$ 95 e US$ 105.
• Brasil: câmbio entre R$ 4,95 e R$ 5,20; Selic a 13,25% ou menos no fim do ano; Ibovespa de volta acima de 209 mil pontos.
• Vencedores: bancos, varejo, construção, energia, saneamento e transporte.
• Perdedores: exportadoras com receita em dólar e setores dependentes de subsídio.
Cenário B: Flávio vence, mas a execução trava (25%)
Flávio vence, mas a equipe demora a ser definida e o orçamento de 2027 fica preso entre a promessa de corte de tributos e a aritmética fiscal. O subsídio a combustíveis é renovado sem fonte clara de financiamento.
• Brasil: rali inicial seguido de devolução no primeiro trimestre de 2027; câmbio entre R$ 5,10 e R$ 5,40; Selic cai devagar.
• Vencedores: ativos de qualidade, com caixa, e setores regulados.
• Perdedores: posições alavancadas na tese de ajuste rápido e empresas dependentes de subsídio.
Cenário C: Lula vence e mantém a agenda (25%)
Lula vence em 25 de outubro, o programa de tributos é revisto para preservar receitas, e a jornada de 40 horas segue com regulamentação própria. O mercado devolve parte do prêmio acumulado na semana.
• Brasil: câmbio entre R$ 5,30 e R$ 5,60; curva de juros reabre; Ibovespa entre 185 mil e 200 mil pontos.
• Vencedores: exportadoras com receita dolarizada, mineração, papel e celulose.
• Perdedores: estatais, varejo alavancado, incorporadoras e pequenas empresas com folha intensiva.
Cenário D: choque externo domina (15%)
A ofensiva em Ormuz se intensifica, o Fed sobe os juros em dezembro e o petróleo passa de US$ 120. O resultado eleitoral deixa de ser a variável dominante.
• Mundo: dólar forte, saída de capital de emergentes e estagflação ganhando força.
• Brasil: câmbio acima de R$ 5,60 independentemente do vencedor; Copom sem espaço para cortar.
• Vencedores: produtores de petróleo, defesa e ouro.
• Perdedores: transporte, aviação, varejo, indústria e setores domésticos cíclicos.
Cenário
Prob.
Câmbio implícito
Posicionamento
A: Flávio e agenda crível
35%
R$ 4,95 a 5,20
Domésticas cíclicas e bancos
B: Flávio e execução travada
25%
R$ 5,10 a 5,40
Qualidade e setores regulados
C: Lula e agenda mantida
25%
R$ 5,30 a 5,60
Receita dolarizada e caixa
D: choque externo
15%
acima de R$ 5,60
Commodities e liquidez
Agenda executiva
• 21/10: segunda prévia do IGP-M de outubro.
• 23/10: IPCA-15 de outubro, com projeções entre 0,45% e 0,51%.
• 23/10: debate da Globo, o último antes do segundo turno.
• 25/10: segundo turno da eleição presidencial.
• 27 e 28/10: reunião do Fed.
• 3/11: eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
• 4/11: decisão do Copom, com a Selic atual em 13,75%.
• Início de novembro: fim dos 30 dias de desoneração da gasolina, sujeito a prorrogação.
• Cerca de 15/12: prazo de 60 dias para adoção da escala 5×2 e da jornada de 42 horas.
• 1º/12: entrada em vigor das salvaguardas europeias sobre importações chinesas, se confirmada a data.
Para as empresas, as ações práticas desta semana são quatro: simular o impacto da escala 5×2 sobre o quadro de pessoal, com prazo de 60 dias; modelar a operação sem subsídio, com diesel separado do Brent; revisar contratos com gatilhos de combustível; e testar o caixa com câmbio entre R$ 4,95 e R$ 5,60.
Perguntas frequentes
Quem lidera a eleição presidencial?
Nenhum candidato tem vantagem fora da margem de erro. O Datafolha e a Quaest mostram Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos e Lula com 49%. A eleição é em 25 de outubro.
O que muda com o fim da escala 6×1?
A Emenda Constitucional 141 institui a escala 5×2 sem redução de salário. Em 60 dias, a jornada máxima cai para 42 horas, e em 14 meses, para 40 horas. Há exceções para diplomados com salário alto e para servidores públicos.
O Fed vai subir os juros em outubro?
O mercado atribui entre 30% e 50% de chance de alta na reunião de 27 e 28 de outubro, e mais de 90% de chance de alta em dezembro. Warsh não deu pistas sobre a decisão.
Vai faltar diesel no Brasil?
O risco imediato é menor, com a liberação de estoques pela AIE e a licença para diesel russo. O risco estrutural permanece: a AIE espera aperto no diesel até bem dentro de 2027.
A inflação brasileira vai cair?
O IPCA-15 de outubro deve acelerar, e o Focus mantém 5,22% para 2026, acima do teto. A queda depende de alimentos e energia, que oscilam com El Niño e bandeiras tarifárias.
O que acontece com a carne brasileira na China?
Acima da cota de 1,106 milhão de toneladas, passa a valer uma tarifa adicional de 55%, com salvaguarda até dezembro de 2028.
Conclusão: o que nove dias podem e não podem mudar
A semana começou com a bolsa perto do recorde, o dólar abaixo de R$ 5,10 e a sensação de que a eleição estava se encaminhando. Terminou com o Ibovespa em queda na semana, o dólar perto de R$ 5,07, o petróleo em US$ 110 e uma corrida que as pesquisas mais recentes mostram apertada. A lição é que o preço dos ativos brasileiros andou mais rápido que a evidência.
O que ficou de fato é a agenda de custos. O Congresso aprovou uma mudança de jornada que altera a folha de milhões de trabalhadores em 60 dias. O governo gastou bilhões para segurar combustíveis e anunciou um perdão de dívidas que pesa no orçamento. A inflação em doze meses segue acima do teto, e a projeção de Selic para o fim do ano mudou pouco. Essas decisões não dependem do resultado de 25 de outubro. Elas já estão nas contas.
O mundo tem uma pergunta parecida. O petróleo voltou a US$ 110 porque a oferta segura segue frágil, e não por falta de estoques ou de alternativas. A AIE liberou reservas, a Rússia voltou a aparecer no mercado por meio de uma licença, e ainda assim o tráfego por Ormuz está longe do normal. O Fed não sinaliza, e o FMI diz que a IA sustenta o crescimento e ao mesmo tempo concentra risco.
Esta série sustenta, há semanas, uma recomendação que se torna mais urgente a cada edição: a estrutura que sobrevive aos dois resultados vale mais que a aposta no resultado. Primeiro falamos de caixa, depois de resiliência e de opcionalidade. Agora é preciso somar produtividade, porque redundância, estoque de segurança, fornecedor alternativo, cibersegurança e capital custam caro. A única forma sustentável de financiar essa resiliência é produzir mais valor por real, por hora e por quilowatt empregado.
Em 25 de outubro, metade do mercado estará errada. A pergunta que cada empresa deveria responder esta semana não é de qual metade quer fazer parte. É se consegue continuar operando se estiver na metade errada.
Lista de fontes
Órgãos oficiais e instituições multilaterais
• Tribunal Superior Eleitoral: calendário do segundo turno.
• IBGE: indicadores de serviços, comércio e produção industrial divulgados na semana.
• Banco Central do Brasil: Boletim Focus de 19 de outubro.
• Fundo Monetário Internacional: World Economic Outlook de outubro de 2026 e Relatório de Estabilidade Financeira Global.
• Congresso Nacional e Senado Federal: votação e promulgação da Emenda Constitucional 141. Consulte também a Agência Senado.
• Federal Reserve: discurso de Kevin Warsh no FMI em Bangkok, em 16 de outubro.
• Agência Internacional de Energia: relatório mensal de outubro e liberação acelerada de estoques.
• UKMTO: incidentes marítimos no Golfo e no Estreito de Ormuz.
• NOAA e INMET: painéis de El Niño.
• Governo federal: MP 1.395 e pacote de apoio aos MEIs.
Imprensa, pesquisa e análise
• Datafolha e Quaest: pesquisas de segundo turno de 14 e 15 de outubro.
• Band e Estadão: organizadores do debate de 18 de outubro, com a confirmação da presença dos candidatos.
• Reuters: declarações de autoridades iranianas sobre Ormuz, acordo China–UE e licença para diesel russo.
• S&P Global: mercado de diesel e anúncio de fornecimento russo.
• Shipandbunker: licença de seis meses para o diesel russo.
• Poder360 e Nota Gateway: projeções da IATA sobre a reforma tributária e as passagens aéreas.
• Petromindo, com análise da Goldman Sachs: fluxos por Ormuz.
• Kpler: dados de fluxos de petróleo pelo Golfo.
• CME FedWatch: probabilidades de juros do Fed.
• Bradesco e Itaú: projeções para o IPCA-15 de outubro.
• Anglo American: comunicado sobre a venda de ativos de níquel.
• Eurasia Group: probabilidade de escalada no Oriente Médio.
Análise citada
• Gilberto Tomazoni (JBS): declarações sobre diversificação de destinos.
• Daniella Marques (campanha de Flávio Bolsonaro): propostas econômicas.
Dados para publicação no blog
• Título SEO sugerido: Eleição 2026: a diferença encolhe, o petróleo volta a US$ 110 e a escala 5×2 muda os custos das empresas
• Meta descrição sugerida: Panorama semanal de 11 a 19 de outubro de 2026: Datafolha e Quaest em empate técnico, Ibovespa, IPCA, Focus, Fed, petróleo a US$ 110, a emenda que institui a escala 5×2 e cenários com probabilidades para empresas brasileiras.
• URL sugerida: /panorama-economico-semanal-19-outubro-2026
• Palavras-chave: eleição 2026, segundo turno, escala 6×1, escala 5×2, petróleo, diesel, Ormuz, Ibovespa, Selic, IPCA, Fed, carne bovina China, MEI
Nota sobre os dados: as cotações de mercado são de 16 de outubro, o último fechamento disponível na data de publicação. As pesquisas eleitorais são as divulgadas até 15 de outubro. Os dados do CPI americano são de setembro, divulgados em 14 de outubro.

