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Como ficaram as medidas do tarifaço de Trump em relação ao Brasil
Linha do tempo e medidas adotadas
1. Tarifa inicial de 10% — abril de 2025
o Anunciada em 2 de abril e aplicada a partir de 5 de abril de 2025.
o Parte da política de “tarifas recíprocas” da administração Trump.
2. Aumento para 50% — julho de 2025
o Em 9 de julho, Trump anunciou um acréscimo de 40% sobre os produtos brasileiros, elevando a tarifa total para 50%, com entrada em vigor oficial a partir de 1º de agosto de 2025, conforme ordem executiva de 31 de julho.
3. Isenções estratégicas
o Cerca de 700 produtos foram excluídos da tarifa de 50%, preservando aproximadamente 45% das exportações brasileiras para os EUA.
o Setores isentos incluem: aviação (Embraer), fertilizantes, suco de laranja e energia. Cobre refinado também ficou de fora, mas produtos semiacabados com cobre foram incluídos.
4. Motivação política e legal
o Trump justificou a medida com base na suposta “perseguição” a Jair Bolsonaro, afirmando que o STF estaria interferindo em direitos democráticos.
o Usou o “International Emergency Economic Powers Act (IEEPA)” para impor tarifas, apesar de os EUA apresentarem superávit de US$ 6,8 bi na balança com o Brasil em 2024, sinalizando motivação mais política do que econômica.
5. Resposta brasileira
o O governo Lula acionou a OMC, aprovou a Lei de Reciprocidade Comercial e anunciou estudo para impor tarifas de retaliação de até 50% sobre produtos como trigo, medicamentos e tecnologia dos EUA.
o Paralelamente, intensificou negociações com China, BRICS e América do Sul, buscando diversificar mercados.
Principais notícias no Brasil e no exterior
Impactos já sentidos no Brasil
• Setores afetados:
Produtos como carne bovina, café, aço semiacabado, cobre e madeira foram diretamente atingidos.
o Empresas como JBS, Marfrig, Cooxupé, Gerdau, CSN e WEG registraram perdas nas ações entre 2% e 4% em julho.
o O setor cafeeiro prevê aumento de US$ 100 mi nos custos anuais; carne pode perder até US$ 500 mi em exportações.
• Impacto na indústria:
Siderúrgicas de ferro-gusa em Minas Gerais paralisaram operações. Indústrias que usam cobre estão com margens comprimidas.
Pequenas empresas e cooperativas em estados como Ceará, MG, SP, RS e SC estimam prejuízos bilionários.
• Mercado interno e financeiro:
O real se desvalorizou mais de 2% frente ao dólar em julho. O Ibovespa recuou 1,61% em 18 de julho, com volatilidade persistente.
Empresas como Itaú, BB, Itaúsa e Magazine Luiza estão expostas à instabilidade cambial e de consumo.
• Emprego e PIB:
Estimativas da CNI apontam perda de até 110 mil empregos e redução do PIB entre 0,2% e 0,4%.
O JPMorgan projeta crescimento de apenas 0,75% no 2º semestre/25.
Impactos já sentidos no exterior
• Alta de preços nos EUA:
O café subiu 12,7%, e o café instantâneo 16,3% em junho. Pequenos negócios e consumidores sentem o impacto direto.
A tarifa sobre cobre afeta cadeias globais de cabos e tecnologia.
• Reação global:
Países como Canadá (35%), Suíça (39%), Japão (15%) e Índia também foram alvo.
A UE discute cotas e cortes tarifários para proteger indústria automotiva.
A volatilidade global fez o índice VIX subir 10% em julho.
Possíveis impactos futuros no Brasil
Economia
• PIB: A Goldman Sachs projeta redução de 0,6% a 1%, caso as tarifas se mantenham.
• Inflação: Aumento nos custos de insumos e desvalorização cambial pressionam o índice, que já está em 5,18%.
• Juros e fiscal: O BC pode manter ou elevar a Selic (15%), enquanto o governo enfrenta pressão fiscal extra de até R$ 104 bi.
Negócios e empresas
• Exportadores: JBS, Marfrig, Gerdau e CSN têm perdas relevantes. WEG enfrenta custos crescentes com cobre.
• Indústrias isentas: Embraer e Petrobras ganham competitividade relativa, mas sofrem com instabilidade e insumos caros.
• PMEs: Pequenas exportadoras do agro, varejo e tênis/vestuário estão vulneráveis e com baixa margem de manobra.
Diplomacia e geopolítica
• Negociação com Trump: Representante comercial Jamieson Greer afirma que tarifas são “definitivas”.
• BRICS e China: O Brasil busca reequilibrar exportações para Ásia, Oriente Médio e África.
• Integração regional: Parcerias logísticas com Argentina, Peru e Paraguai devem acelerar.
Riscos sociais e políticos
• Emprego e pressão social: Impacto maior em MG, PR, MT, CE, RS e SC.
• Judicialização e tensão política: A crise fortalece o discurso nacionalista. Há preocupação com estabilidade jurídica e segurança institucional.
Conclusão consolidada
Impactos atuais:
• O tarifaço de Trump é uma medida agressiva com efeitos imediatos em exportações, preços, empregos e investimentos.
• Setores como agronegócio, siderurgia, indústria de base e tecnologia sofrem prejuízos diretos.
• A volatilidade cambial, queda do Ibovespa e retração da confiança empresarial são sinais claros da instabilidade.
Possíveis efeitos futuros:
• Caso as tarifas se prolonguem, o Brasil pode entrar em rota de crescimento abaixo de 1%, com inflação estruturalmente mais alta e pressão sobre o fiscal.
• A internacionalização de empresas e a integração ao eixo BRICS/Ásia tornam-se inevitáveis.
• A relação Brasil-EUA deve permanecer tensa e imprevisível até as eleições americanas.
Recomendações para empresas:
• Acelerar diversificação de mercados e eficiência operacional.
• Estudar instalação de operações fora do Brasil, quando viável.
• Acompanhar negociações comerciais e cenários políticos globais.
Confira no Youtube: https://youtu.be/k0nguqIV8ig

